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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Texto perfeito...

A grande realidade neutra do que eu estava vivendo me ultrapassava na sua extrema objetividade. Eu me sentia incapaz de ser tão REAL quanto a realidade que estava me alcançando - estaria eu começando em contorções a ser tão nutuamente real quanto o que eu via? No entanto toda essa realidade eu a vivia com um sentimento de irrealidade da realidade. Estaria eu vivendo, não a verdade, mas o mito da verdade? Toda vez em que vivi  a verdade foi através  de uma impressão de sonho inelutavél: o sonho inelutável é a minha verdade.
Estou tentando te dizer de como cheguei ao neutro e ao inexpressivo de mim. Não sei se estou entendendo o que falo, estou sentindo- e receio muito o sentir, pois sentir é apenas um dos estios de ser. No entanto atravessarei o mormaço estuperfato que se incha do nada, e terei de entender o neutro com o sentir.
O neutro.  Estou falando do elemento vital que liga as coisas Oh, não receio que não compreendas, mas que eu me compreenda mal. Se eu não me compreender morrerei daquilo de que no entanto vivo.

Trecho do livro -  A Paixão Segundo G.H. - Clarice Lispector

Obs: O trecho descreve totalmente como me senti tempos atrás e como ainda me sinto as vezes....